segunda-feira, 25 de julho de 2016

Domingo, a beira-mar

O mar bate e volta e anda
uma lancha vermelha e branca
ante um pôr-do-sol laranja,
filas em frente às bancas.

Muitas pernas e tantas leggings,
tendinite e tem mil selfies,
paralaxe desse tempo, ao todo
na net são mais de mil sois se pondo.

Milho, quentão e pipoca
crepe em palito e motocas e
crias em vias de motor, risadas,
sonhos de 500 cavalos, carreiras, saladas.

O b-rrruuuído: freia, buzina,
a serviço do arranca, na via a corrida
no ar o que é pássaro, crescente e agudo
de semáforo a outro em poucos segundos.

Há um sax e sempre teremos os anos 80
mas não há mais espaço na longa mureta
há trapiche, gente estranha, cachorros pequenos
há a vista, e há quem aviste os muros que temos.

O mar bate e volta
o mar bate e volta
o mar bate e
as pedras respondem com tédio
as pessoas com tudo que é médio
o mar bate e volta
como se não houvesse
ruas e pressas e prédios.

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