quarta-feira, 15 de junho de 2016

Medo e público

Não suporto falar
mas falo
e disposta ao mundo,
não suporto,
mas mostro tudo
sem mistério ou charme,
é todo um desarme:
da festa, da aula, do sábado;
em qualquer momento,
eu falo.

Não suporto
e todos me vêem
eu falo,
dúvidas quicam
nas paredes,
azulejos racham
nos banheiros;
eu falo
como quem esconde
e ecoa
porque me atrevo.

Eu falo,
não suporto os que falam,
mas falo,
digo o que me vem
e espero
de volta
alguém que tem e
fala e
mostra.

Me atrevo na arrogância
e falo
enquanto criança
afasto quem cale e
traço com força
caminho a quem fale
de mim
ao dizer de qualquer outra coisa.

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