quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Navegantes

Parto do princípio do vazio
do precipício do pretérito
da parte que não me cabe
do parque que não diverte e
da porta que não se fecha,
parto da pira nem-errada-nem-certa;
parto pra perto
do que me enrola e me prende,
e pago pelo perigo que já virou meta.

Parto do princípio, vazio
da origem profunda de
causas e razões perdidas,
da pressão de parecer 
perfeito
da ilusão de se sentir
inteiro,
do preciso perfume que 
me persegue e me permite;
parto do sem-limite,
e pago com tudo em mim que grite.

Parto do medo do vazio
da busca pelo que protege,
do porto que nunca chega
ou se chega, nunca fica, se perde,
parto de toda volta e toda briga,
pirateio minhas promessas
e pago com o pouco que de todo tenho,
penhorando o que me é caro
como quem foge:
sem rumo, e com pressa.

Um comentário:

Gustavo Schmitt disse...

você parte do porto da poesia, para se tornar uma grande poetisa