quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Procura-se novos conceitos de afeto

Busco uma imagem vaga,
ou ideia infantil de qualquer grandeza,
busco, ainda, apesar da certeza
de ser só isso,
o áspero sentido mais próximo de um guia:
o caminho e a rua de todo dia,
o abismo que tanto me faz,
o outro ausente que me angustia
a pressa de novembro para chegar
em dezembro,
mais uma vez, mais
e de novo,
mil noites em que nada se cria.

Busco alguém que me faça inteira,
me atualize enquanto eu e primeira
embora não creia nisso e
na escolha,
numa promessa
que nasce pra ser quebrada.
Embora não creia:
que eu seja feita para ficar parada.
Quero mas não creio na prioridade
no cuidado, estável, na angústia da saudade
que por um quê de parceria cabe,
por enganos e normatividade,
na ideia de namorada.

Um comentário:

Gustavo Schmitt disse...

Gosto muito da forma como você escreve, da densidade, dos cenários e imagens, da sonoridade nos versos e do desapego às formalidades. Tens influenciado minhas poesias. Conheci várias poetisas nos últimos anos... mas você é minha preferida. Abc