domingo, 18 de outubro de 2015

Cansaço

Me disseram que hoje é domingo
mas acordei como se fosse segunda
o peso do trampo, do prazo, dormindo
sonhava com a dor de ser sozinha, pergunto
o porquê de me sentir tão velha
tão vinte anos mais cansada,
me movo com o vento, sobrevoo o abismo,
mas ainda me sinto parada.
Me cansa
tudo aquilo que já foi dito 
no fundo não me dizer mais nada...

Tô cansada 
de escrever pra ninguém
que me importe
de viver na base do porém
da grande sorte,
de estar sempre aquém, porra,
daquilo que me vem,
quero algo que me mova,
pra além do acaso, pralém...

Tô cansada
de sair pra passear com os olhos,
meus dedos buscam outros, porque ainda espero,
escolho no medo que sou, no parque,
qualquer um que soe um pouco mais sincero -
na rua recolho
a pira dos outros,
na janela o lusco-fusco,
lembrança que ainda conservo
e o frio que me resta,
até o osso,
enterra a ideia de que a vida é
uma festa.

Tô cansada, 
principalmente,
de perder gente pro descompasso,
pro azar de se reconhecer no outro e
receber desculpa, um abraço,
toma meu corpo, toma meu tempo,
não importa
tapinha nas costas, uma fala de amigo,
pouco importa aquilo que faço -
não quero mais me entregar
não quero, nem sei se consigo,
mas cada olhar meio torto
já me desanda o objetivo
de ser eu, só eu
vivendo o que só eu sei e vivo.

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