sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Período cético

Não sei lidar com
esse eu suposto sem origem.
Não sei se acredito
no que decidi chamar de amor.

Sei da dor,
da beira suspensa do abismo
a busca inútil pelo infinito
de impossibilidades em tudo que for.

Sei da brisa estival em pleno inverno
e que há dias não chove.
Que não ter grana é um inferno
pra quem não vive sem.
Preciso estender a roupa
ao vento forte,
preciso entender a quem.

A quem se destina o choro,
sem vela, sem carta, na veia, com corte,
a quem se destina esse tipo de sorte
do apego e da gana -
a quem não me ama...

Não me quer, nem sonha
com a raiva que sobe
da coragem e da vergonha
mas que em breve se esconde
cansada...
e apanha...
e some.

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