segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Delírio

Sinto os carros baterem
daqui de dentro, eles lá
depois da porta da frente,
depois do portão, depois do caminho,
depois da curva
na avenida.
Sinto toda a confusão
daqueles que construíram casas na cidade
sonhando com campos e flores e
daqueles que sonham na fazenda
com a pujança radical e cinza
das cidades.
Sinto as enormes distâncias
as extremas dificuldades,
essa disponibilidade para
o sofrimento e o absurdo
a que todos nos expomos.
Sinto a piração de todas
as meninas loucas com
seus autógrafos de ídolos teen,
que tinham que casar 
com todas elas
elas dizem.
Sinto o desespero de uma janela aberta
Nm dia de temporal,
a angústia
de uma fila de uma espera
com quarenta graus
a tristeza.
Sinto a tristeza dos que querem
morrer e não podem.
Dos que querem viver e não podem
não desse jeito,
não como são. 
Dos que se mutilam,
dos que se matam em vida
ao andar sempre num perigoso paralelo
com o abismo.
Sinto as unhas que se cravam na pele,
mãos que estapeiam os corpos e que 
disso surgem vermelhas, pulsantes,
como se vítimas fossem.
Sinto aquela pena de si digna de qualquer
homem branco de classe média,
e aquela imobilidade,
impossível -
não há o que fazer.
Avisem ao mundo:
um algo morreu.
Se foi,
olhos frios, parados, mortos.
Tinha ainda memória:
sempre o sentido da volta
que não volta
e da falta.
Toda a falta
de uma promessa inventada
e não cumprida -
não mais que
um delírio literário.

Um comentário:

carolina montagnini disse...

Oi...sei que parece estranho, mas preciso de algum contato seu. estou usando seu blog na minha dissertação e preciso de algumas informações sobre você. ficaria muuuito feliz se vc ajudasse. :) meu email: carolina.mn@outlook.com