segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sobre-re-vivendo

Tudo que sou, nesse momento, dói.
Tento rever, reaver os pedaços de mim:
Sou uma mesa num cubículo
abaixo de quadrados de isopor
e acima de carpetes cinzas.
Sou regar plantas que se consomem por pragas
sem que se possa nada fazer.
Sou o surf cotidiano em uma caixa metálica
em movimento.
Sou o mundo de coberturas têxteis
que se fecham
se me escondem
de onde
não quero sair.
Sou o café que não tomo
de manhã cedo.
Sou o bom humor forçado
das manhãs de sábado
e todo dia.
Sou o velho hábito
o velho habitado pelo
novo velho que não tem forças
pra beber.
Sou um profundo doer
que não tem nem
e não sabe nem
donde.
Sou o sofrimento que
não faz parte da equação.
Sou o que muda pra viver e
sobrevive pra nada.
Sou apatia.
Sou uma pedra sempre que posso.
Sou convulsiva quando não dá.
Sou convulsos soluços
unha sou pulso.
Sou marcas vermelhas no mar.

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