segunda-feira, 16 de junho de 2014

Passou

Só assim poderia lidar com a situação:
Naquele momento não dissemos nada, mas
algo se passou. Algo passou. E alguém.

Sei e sinto que aquilo que às vezes penso ser
uma aceitação de uma ética de vida libertária
na verdade não passa de uma conformação
que na verdade não se conforma com porra alguma.

Semana passada perguntaram se estava doente,
e acho que bem poderia estar, se você for pensar.
Quando o sujeito acorda chorando por um sonho,
bem que deve estar doente mesmo.

Acordei doente e fui te ver porque
-precisava que me visses doente- 
precisava te contar algo, e contei.
Aquilo pareceu me fazer melhor, me curei.
Fiquei feliz, mesmo.

Fui ver ontem umas conversas antigas
Que nem lembrava mais
-porque quando a gente quer fingir
que o passado foi muito triste,
geralmente consegue-
em algum chat qualquer,
e isso me disse que sim, 
estava mesmo feliz. Curada, até!

Pronto, agora sou uma pessoa melhor,
disse a mim mesma,
com o ciume a gente lida, não
deve ser tão difícil assim.
Hahahahahahaha

Naquele momento não dissemos nada, mas
algo se passou. Algo passou. E alguém.
Passou a ilusão de que a coisa toda
se resolve na base de um resfriado.

Olhei pra ti e sim, parecia natural, mas
sim, eu me senti bem, mas
aquilo tudo parecia um teatrinho
de provar algo pra alguém que
não, não era ela, que passa.

O fundo que fica e me chateia é que,
caramba.

Precisa de uma doença, um
olhar que passa e verifica,
algumas lembranças de bons momentos e
presentinhos, abracinhos e carinhos,
pra me convencer que aquilo que fica
quando você me tira daquilo que
sempre conheci
-embora isso seja tudo que há,
você me diz-
que aquilo que fica é
"especial o suficiente".

-que mente pequena-

Tente lidar com isso, então.

Mas estou feliz,
estamos bem.
E a coisa é que
eu realmente acredito nisso.

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