domingo, 29 de junho de 2014

Falta da falta

Que falta me faz
a falta.
Que nada
que há me basta -
basta justamente o querer e não ter
ou o ter intermitente:
o meu eu que vai embora,
o nosso que passa, e chora... mas sente.
Basta.. Lembro dos campos,
flores, ventos, morros, pedras,
mas não lembro dos choros
sonhos - angústias, eras
da solidão que eu não queria...
que era demais... e também
não me bastava...
Basta
que me livre desse
corre e escorre,
mas que também morre e chove
e bate no rosto num senso
de realidade. Presença
de pertença.
Basta que eu largue de toda
a minha poética
(que resume minha história)
pela ideia hipotética
de que a vida será mais fácil
sem ela.
Sem a falta.
Temo que a falta da falta
me tire um sentido,
que eu ande nas ruas e feche os ouvidos
praquilo tudo
o mundo
o tudo que há no mundo,
que eu via - e deixo de ver -
que eu sentia - mas já não importa -
porque o belo já está dado,
a busca não se faz mais necessária,
e eu só não sei reconhecer.
Temo o sentimento
que tem um filho bastardo,
que tem família, conforto, cama, comida,
mas algo sempre está errado,
e ele simplesmente não escolheu
nascer ali.


Maio, 2013.

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