terça-feira, 12 de março de 2013

Panóptico

Da ordem do inevitável veio
a ordem de prisão.
Da ordem do desnecessário
entre uma e outra lição.

Abordem os dissemelhantes
e engordem seus parasitas!
Acordem as crianças na cama
não as esposas ou as visitas!

Me levem, me criem, me digam
o que vivo, o que faço!?
Me cresçam, me guiem, me sigam
onde eu crio, onde eu passo!?

Da ordem surgiram cães sadios
que mordem vadios em bravura,
seres que andam na bamba dos fios
de vidas moldadas em abreviaturas.

Levem daqui estes baderneiros,
gordo, puta, trans&viado!
Façamos do mundo um outro lugar
limpo, louvável e desejável!

Da ordem caiu a mão
dentro da luva reguladora.
Todos os dedos, indicadores
de uma existência devoradora.

Decerto achas que estás sendo,
mas ordeno que te autodefinas!
Olhe no espelho e me diga
que vês, que assim te confina!
Vejo um panóptico, digo
que olha direto de volta.
Então surgiu a palavra
com a qual ordeno minha própria escolta.

Da ordem do incontestável
surgiu o conceito do certo.
Abomina o que denomina
como digno de ser coberto.









Um comentário:

Davi Scherer disse...

Vou ter que ler umas 5 vezes esse poema.