sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Uma escolha

Nunca o conheci.
Sua face inconstante e mutável
Era constantemente esquecida;
Mas não em detrimento de sua memória,
Presente até hoje em algum lugar.
Um sonho.
Tudo o que foi
Ou deixou de ser.
Do qual nunca se lembra o começo
Surpreende-se com os ápices,
-Que quase fazem acordar-,
Estando fadado a ser
Deixado de lado
Na manhã seguinte.

E a cada objeto que se passa,
A cada rua, cada sol,
Cada lua;
Em todos os momentos se tem
A triste impressão
De que ele ainda está vivo.
E que nunca foi esquecido,
Naquela manhã abafada e
De fina chuva.
Que dois amantes,
Que praias e pedras,
Jamais serão esquecidos.


Ele nunca me pertenceu, não.
Mas por um minuto, um intante,
Pude sentir que fomos um.
Como suportar, então?
Como suportar o não saber,
o não, e depois sim, crer!
A maldita incerteza, que cerca a todos
Aqueles sonhos, de todas
Aquelas pessoas, com todas
Aquelas certezas estúpidas,
Porque nunca se sabe o que é real ou não...


Mas, no fundo, não quero confirmação
De que tudo foi verdade.
No fundo,
Sei que aquele foi o melhor sonho que tive na vida.

E que quando se começa a acordar,
Não tem mais volta.

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